Santa Teresa de Calcutá (1910-1997)

 

Santa Teresa de Calcutá

A  Madre Teresa de Calcutá foi uma mulher totalmente apaixonada por Jesus. Meditou e comungou o seu grito: “Tenho sede”, e saciou a sede de Jesus, amando-os e servindo-O nos pobres. O «Tenho sede» acompanha a imagem do Crucificado em todas as Casas das Missionárias da Caridade. A Madre Teresa saciou a sede de Jesus amando os mais pobres, tocando a carne de Jesus nos pobres:

«Um dia recolhi um homem que jazia na valeta. O seu corpo estava coberto de vermes. Trouxe-o para a nossa casa, e o que disse este homem? Não praguejou. Não censurou ninguém. Disse simplesmente: «Vivi na rua como um animal, mas vou morrer como um anjo, que foi amado e bem tratado!» Foram precisas três horas para o lavar. Finalmente, o homem ergueu o olhar para a irmã e disse: «Irmã, vou voltar para casa – a casa de Deus». E depois morreu. Nunca vi um sorriso tão luminoso como o que vi então na cara daquele homem. Ele regressara a casa – à casa de Deus. Vede o que o amor pode conseguir! É possível que a jovem irmã, naquele momento, nem se tenha apercebido, mas tocara o corpo de Cristo. Jesus não disse: «Todas as vezes que fizestes isto a um dos menores dos meus irmãos, foi a Mim que o fizestes” (Mt 25, 34-40)? E é assim que tu e eu nos inscrevemos no plano de Deus» (Madre Teresa).

A Madre Teresa, que saciou a sede de Jesus e encontrou-O na aflição dos pobres, lembra à sua Congregação: «Seremos apenas mais uma congregação? Qual é a razão da nossa existência? Nós existimos para saciar a sede de Jesus, para proclamar o amor de Cristo, a sede de Jesus pelas almas». O objectivo da congregação é o de saciar a sede de Jesus na cruz através do nosso amor por Ele e da nossa entrega às almas».

«Enquanto não escutardes Jesus no silêncio do vosso coração, não podeis ouvi-l’O dizer “Tenho sede” no coração dos pobres. Não abandoneis nunca este contacto íntimo com Jesus como presença real, viva, e não como simples ideia. (…) Como é grande o amor de Deus por nós a ponto de Ele ter escolhido a nossa instituição (congregação) para saciar esta Sede de Jesus – sede de amor – dando-nos um lugar especial na sua Igreja. E, ao mesmo tempo, nós lembramos esta Sede ao mundo, que parece querer esquecê-la […] Para mim, é muito claro que tudo o que as Missionárias da Caridade (M. C.) fazem visa unicamente saciar a Sede de Jesus. A sua mensagem, inscrita nas paredes de todas as capelas das M. C. não é letra morta, mas viva, aqui e agora, dita para vós. Acreditais? Se sim, ouvireis e sentireis a sua presença […] Se apenas uma ideia deveis reter desta carta, que seja esta: “Tenho sede” é muito mais profundo do que se Jesus tivesse dito simplesmente “Amo-vos”. Enquanto não souberdes, no vosso íntimo, que Jesus tem sede de vós, não podereis conhecer aquilo que Ele quer ser para vós, nem aquilo que Ele quer que vós sejais para Ele. (…) Saciar a Sede de Jesus vivo entre nós é a única razão de ser desta congregação e o seu íntimo objectivo» (). A Sede de Jesus é o centro, o ponto de convergência, o fim de tudo o que as Missionárias da Caridade são e fazem, e que a Igreja confirmou por diversas vezes: “o nosso carisma é saciar a Sede de Jesus, Sede de amor pelas almas, trabalhando pela salvação e pela santificação dos mais pobres entre os pobres”. Isto e apenas isto. Nada mais. Fazei tudo o que está ao nosso alcance para proteger este dom de Deus para com a nossa congregação. (…) Só a Sede de Jesus… manterá a nossa congregação viva depois de eu vos ter deixado. Se ela for o fundamento da vossa vida então tudo vos correrá bem. Um dia eu irei deixar-vos, mas a Sede de Jesus não vos deixara nunca. Jesus faminto nos pobres estará sempre convosco. (…) Nossa Senhora ajudar-nos-á a permanecermos fiéis, pois foi ela – juntamente com São João e Maria Madalena – a primeira pessoa a ouvir este grito de Jesus: “Tenho sede!”. (…) Agora sou eu que, em nome [de Nossa Senhora], vos peço e suplico: escutai a Sede de Jesus. Que ela seja, para cada um, aquilo que o Santo Padre refere na sua carta: uma Palavra de Vida. (…) Como podeis chegar à Sede de Jesus? Só há um segredo: quanto mais vos aproximardes d’Ele, mais conhecereis a sua sede… E em que devemos acreditar? Que Jesus tem sede, desde já, do vosso coração e dos pobres. Ele, que conhece as vossas fraquezas, deseja, contudo, apenas o vosso amor: quer simplesmente que Lhe deis uma hipótese de vos amar» (Testamento espiritual da Madre Teresa).

«Nós existimos para saciar a sede que Deus tem do nosso amor e, de certa forma, Deus “existe” nas nossas vidas para saciar a nossa sede existencial do seu Amor» (Joseph Langford). «Tenho sede de te amar e de ser amado por ti. Assim, és precioso para Mim. Tenho sede de Ti. Não duvides da minha Misericórdia, da forma como te aceito, do meu desejo de te perdoar, abençoar e de viver a minha vida em ti. Tenho sede de ti. Ouve-me, vem até Mim, tem sede de Mim, dá-Me a tua vida – e Eu provar-te-ei como és importante para o meu coração» (Joseph Langford).

 

«A sua missão começava cada dia, antes do alvorecer, diante da Eucaristia. No silêncio da contemplação, Madre Teresa ouvia ressoar o grito de Jesus na Cruz: Tenho sede. Este brado, recolhido no profundo do coração, impelia-a para as ruas de Calcutá e de todas as periferias do mundo, em busca de Jesus no pobre, no abandonado, no moribundo. Madre Teresa, inesquecível mãe dos pobres, é um exemplo eloquente para todos» (João Paulo II, Angelus, 7 de Setembro de 1997).

Recebeu o Prémio Nobel da Paz a 17 de Outubro de 1979. Este símbolo vivo de misericórdia, morreu aos 87 anos, no dia 5 de Setembro de 1997, em Calcutá. Foi beatificada em Roma, a 19 de Outubro de 2003, Dia Mundial das Missões. Foi canonizada em Roma pelo Papa Francisco a 4 de Setembro de 2016.

«Para honra da Santíssima Trindade,

para a exaltação da fé católica

e o incremento da vida cristã,

com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e Nossa,

depois de ter reflectido longamente,

invocado muitas vezes a ajuda divina

e escutado o parecer de muitos Nossos Irmãos no Episcopado,

declaramos e definimos Santa

a Beata Teresa de Calcutá,

e inscrevemo-la no Álbum dos santos,

estabelecendo que em toda a Igreja

ela seja devotamente honrada entre os Santos.

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo».

«A Madre Teresa, ao longo de toda a sua existência, foi uma dispensadora generosa da misericórdia divina, fazendo-se disponível a todos, através do acolhimento e da defesa da vida humana, dos nascituros e daqueles abandonados e descartados. Comprometeu-se na defesa da vida, proclamando incessantemente que «quem ainda não nasceu é o mais fraco, o menor, o mais miserável». Inclinou-se sobre as pessoas indefesas, deixadas moribundas à beira da estrada, reconhecendo a dignidade que Deus lhes dera; fez ouvir a sua voz aos poderosos da terra, para que reconhecessem a sua culpa diante dos crimes – diante dos crimes! – da pobreza criada por eles mesmos. A misericórdia foi para ela o “sal”, que dava sabor a todas as suas obras, e a luz que iluminava a escuridão de todos aqueles que nem sequer tinham mais lágrimas para chorar pela sua pobreza e sofrimento.

A sua missão nas periferias das cidades e nas periferias existenciais permanece nos nossos dias como um testemunho eloquente da proximidade de Deus junto dos mais pobres entre os pobres. Hoje entrego a todo o mundo do voluntariado esta figura emblemática de mulher e de consagrada: que ela seja o vosso modelo de santidade! Parece-me que, talvez, teremos um pouco de dificuldade de chamá-la de Santa Teresa: a sua santidade é tão próxima de nós, tão tenra e fecunda, que espontaneamente continuaremos a chamá-la de “Madre Teresa”. Que esta incansável agente de misericórdia nos ajude a entender mais e mais que o nosso único critério de acção é o amor gratuito, livre de qualquer ideologia e de qualquer vínculo e que é derramado sobre todos sem distinção de língua, cultura, raça ou religião. Madre Teresa gostava de dizer: «Talvez não fale a língua deles, mas posso sorrir». Levemos no coração o seu sorriso e o ofereçamos a quem encontremos no nosso caminho, especialmente àqueles que sofrem. Assim abriremos horizontes de alegria e de esperança numa humanidade tão desesperançada e necessitada de compreensão e ternura» (Papa Francisco, Homilia na Missa da Canonização, Domingo 4 de Setembro de 2016)

«Encomendo-vos à protecção da Madre Teresa. Ela vos ensine a contemplar e adorar cada dia Jesus Crucificado para O reconhecer e servir nos irmãos necessitados» (Papa Francisco, Angelus, 4 Setembro de 2016).

 

Beatificação do P. Eugénio Maria, OCD

P. Eugénio Maria

O Padre Eugénio Maria do Menino Jesus vai ser beatificado a 19 de Novembro de 2016, durante uma missa internacional, presidida pelo Cardeal Ângelo Amato, delegado do Papa Francisco. A celebração será no Parque de Exposições de Avignon.

Os restos mortais do Padre Eugénio Maria ficarão expostos à devoção dos fiéis num relicário no Santuário de Nossa Senhora da Vida, em Venasque.

Edith Stein: A «mística da Cruz»

Edith Stein

A Igreja e o Carmelo celebram hoje, 9 de Agosto, Santa Teresa Benedita da Cruz, de seu nome Edith Stein.  Faleceu há 74 anos em Auschwitz. Viveu e pregou a «ciência da Cruz».

A união com o Crucificado faz nascer a força apostólica do amor misericordioso, que se torna presente em todas as partes onde Cristo sofre qualquer necessidade material ou espiritual nos mais pequenos deste mundo.

«O mundo está em chamas! Urge-te extingui-las? Contempla a Cruz. Desde o coração aberto brota o sangue do Salvador. Ele apaga as chamas do inferno. Liberta o teu coração pelo cumprimento fiel dos teus votos e então derramar-se-á nele o caudal do Amor divino até inundar todos os confins da terra. Ouves os gemidos dos feridos nos campos de batalha do Este e do Oeste? Tu não és médico, nem mesmo enfermeira, nem podes vendar as feridas. Estás recolhida na tua cela e não lhes podes acudir. Ouves o grito agónico dos moribundos e quererias ser sacerdote e estar ao seu lado. Comove-te a aflição das viúvas e dos órfãos e quererias ser o Anjo da Consolação e ajudá-los. Olha para o Crucificado. Se estás unida a Ele, como uma noiva no cumprimento fiel dos teus santos votos, és tu / seu sangue precioso que se derrama. Unida a Ele, és como o omnipresente. Não podes ajudar aqui ou ali como o médico, a enfermeira, ou o sacerdote; mas com a força da Cruz podes estar em todas as frentes, em todos os lugares de aflição. O teu Amor misericordioso, Amor do coração divino, leva-te a todas as partes onde se derrama o seu precioso sangue, suavizante, santificante, salvador».

A união com Cristo é necessária para participarmos na obra da expiação e da redenção nossa e de toda a humanidade: «No fundo não há nenhuma separação entre a  santificação própria e o apostolado. Quem busca a perfeição segundo a vontade de Deus, busca-a não para si, mas para os outros».

A união com Cristo Crucificado alcança assim uma dimensão de santificação pessoal e uma dimensão apostólica de salvação universal.

«Desta forma encontram-se indissoluvelmente unidos a própria perfeição, a união com Deus, o trabalho para que o próximo alcance a união com Deus e a perfeição. E o caminho para tudo isto é a Cruz. E a pregação da cruz seria vã se não fosse a expressão de uma vida unida a Cristo Crucificado».

O caminho de seguimento do Crucificado é animado pela certeza da vitória de Cristo: «No sinal da cruz venceremos… vejam-se ou não os frutos». «Vitória, Tu reinarás; ó Cruz, Tu nos salvarás».

 

Canonização de Isabel da Trindade

A 16 de Outubro será canonizada a Bem-aventurada Isabel da Trindade, carmelita descalça francesa, em Roma, pelo Papa Francisco.

Isabel da Trindade

«Sou Isabel da Trindade,

quer dizer,

Isabel desaparecendo,

perdendo-se,

deixando-se invadir

pelos Três» (Carta 172).