Oração para o Jubileu da Misericórdia

Jubileu da Misericórdia

 

Senhor Jesus Cristo,

Vós que nos ensinastes a ser misericordiosos como o Pai celeste,

e nos dissestes que quem Vos vê, o vê a Ele.

Mostrai-nos o Vosso rosto e seremos salvos.

O Vosso olhar amoroso libertou Zaqueu

e Mateus da escravidão do dinheiro;

a adúltera e Madalena de colocar a felicidade apenas numa criatura;

fez Pedro chorar depois da negação,

e assegurou o Paraíso ao ladrão arrependido.

Fazei que cada um de nós considere como dirigida a si mesmo

a palavra que dissestes à mulher samaritana:

Se conhecesses o dom de Deus!

Vós sois o rosto visível do Pai invisível,

do Deus que manifesta sua omnipotência

sobretudo com o perdão e a misericórdia:

fazei que a Igreja seja no mundo o rosto visível de Vós,

seu Senhor, ressuscitado e na glória.

Vós quisestes que os Vossos ministros

fossem também eles revestidos de fraqueza

para sentirem justa compaixão

por aqueles que estão na ignorância e no erro:

fazei que todos os que se aproximarem de cada um deles

se sintam esperados, amados e perdoados por Deus.

Enviai o Vosso Espírito e consagrai-nos a todos com a sua unção

para que o Jubileu da Misericórdia seja um ano de graça do Senhor

e a Vossa Igreja possa, com renovado entusiasmo,

levar a Boa Nova aos pobres,

proclamar a liberdade aos prisioneiros e oprimidos

e restituir a vista aos cegos.

Nós Vo-lo pedimos por intercessão de Maria, Mãe de Misericórdia,

a Vós que viveis e reinais com o Pai e o Espírito Santo,

pelos séculos dos séculos. Ámen

 

 

A docilidade ao Espírito Santo de Santa Maria de Jesus Crucificado Baouardy

HOMILIA DO SANTO PADRE FRANCISCO na missa da canonização das beatas Joana Emilia de Villeneuve, Maria Cristina da Imaculada Conceição Brando, Maria Afonsina Danil Ghattas e Irmã Maria Baouardy, carmelita de Belém.

Maria de Jesus Crucificado

Os Actos dos Apóstolos apresentaram-nos a Igreja nascente no momento em que elege aquele que Deus chamou para tomar o lugar de Judas no colégio dos Apóstolos. Não se trata de assumir uma carga, mas um serviço. Efectivamente, Matias, o eleito, recebe uma missão que Pedro define assim: «É necessário […] que um deles se torne, connosco, testemunha da sua ressurreição (Act 1, 21-22). Com estas palavras sintetiza o que significa fazer parte dos Doze: significa ser testemunha da ressurreição de Jesus. O facto de dizer “connosco” dá a entender que a missão de anunciar Cristo ressuscitado não é uma tarefa individual: é para viver de modo comunitário, como colégio apostólico e com a comunidade. Os Apóstolos fizeram a experiência directa e bela da ressurreição; são testemunhas oculares de tal acontecimento. Graças à autoridade do seu testemunho, muitos acreditaram; e da fé em Cristo ressuscitado nasceram e nascem continuamente as comunidades cristãs. Também nós, hoje, fundamentamos a nossa fé no Senhor ressuscitado sobre o testemunho dos Apóstolos chegado até nós por meio da missão da Igreja. A nossa fé está solidamente ligada ao seu testemunho como a uma cadeia ininterrupta estendida ao longo dos séculos não só pelos sucessores dos Apóstolos, mas pelos cristãos de geração em geração. À imitação dos Apóstolos, cada discípulo de Cristo é chamado a ser testemunha da sua ressurreição, sobretudo naqueles ambientes humanos onde é mais forte o esquecimento de Deus e a perda do homem.

Para que isto se realize, é necessário permanecer em Cristo ressuscitado e no seu amor, como nos recordou a Primeira Leitura de João: «Aquele que permanece no amor permanece em Deus e Deus nele» (1 Jo 4, 16). Jesus repetira-o insistentemente aos seus discípulos: «Permanecei em mim… Permanecei no meu amor» (Jo 14, 4. 9). É este o segredo dos santos: permanecer em Cristo, unidos a Ele como os ramos à videira, para dar muito fruto (cf. Jo 15, 1-8). E este fruto não é senão o amor. Este amor resplandece no testemunho da Irmã Joana Emília de Villeneuve, que consagrou a sua vida a Deus e aos pobres, aos doentes, aos presos, aos explorados, tornando-se para eles e para todos sinal concreto do amor misericordioso do Senhor.

A relação com Jesus Ressuscitado é – por assim dizer – a “atmosfera” em que o cristão vive e na qual encontra a força para permanecer fiel ao Evangelho, mesmo no meio dos obstáculos e das incompreensões. “Permanecer no amor”: isto fez também a Irmã Maria Cristina Brando. Ela foi totalmente conquistada pelo amor ardente do Senhor; e pela oração, pelo encontro coração a coração com Jesus Ressuscitado, presente na Eucaristia, recebia a força para suportar os sofrimentos e entregar-se como pão partido a muitas pessoas longe de Deus e famintas de amor autêntico.

Um aspecto essencial do testemunho a prestar ao Senhor ressuscitado é a unidade entre nós, seus discípulos, à imagem daquele existe entre Ele e o Pai. Ressoou também hoje no Evangelho a oração de Jesus na vigília da Paixão: «Que todos sejam um, como nós» (Jo 17, 11). Deste amor eterno entre o Pai e o Filho, que se infunde em nós por meio do Espírito Santo (cf. Rm 5, 5), recebem força a nossa missão e a nossa comunhão fraterna; dele emana sempre novamente a alegria de seguir o Senhor no caminho da sua pobreza, da sua virgindade e da sua obediência; e este mesmo amor chama a cultivar a oração contemplativa. Experimentou-o de modo eminente a Irmã Maria Baouardy que, humilde e iletrada, soube dar conselhos e explicações teológicas com extrema claridade, fruto do diálogo contínuo com o Espírito Santo. A docilidade ao Espírito Santo tornou-a instrumento de encontro e de comunhão com o mundo muçulmano. Assim também a Irmã Maria Alfonsina Danil Ghattas compreendeu bem o que significa irradiar o amor de Deus no apostolado, tornando-se testemunha de mansidão e de unidade. Oferece-nos um claro exemplo de como é importante tornar-se responsável pelos outros, de viver ao serviço do outro.

Permanecer em Deus e no seu amor, para anunciar coma palavra e com a vida a ressurreição de Jesus, testemunhando a unidade entre nós e a caridade para com todos. Isto fizeram as quatro irmãs que hoje foram proclamadas Santas. O seu luminoso exemplo interpela também a nossa vida cristã: como sou testemunha de Cristo ressuscitado? É uma pergunta que nos devemos fazer. Como permaneço n’Ele, como permaneço no seu amor? Sou capaz de «semear» em família, no ambiente de trabalho, na minha comunidade, a semente daquela unidade que Ele nos deu participando-a pela vida trinitária?

Voltando hoje para casa, levemos connosco a alegria deste encontro com o Senhor ressuscitado; cultivemos no coração o compromisso de permanecer no amor de Deus, permanecendo unidos a Ele e entre nós, e seguindo as pegadas destas quatro mulheres, modelos de santidade, que a Igreja nos convida a imitar.

Praça de São Pedro

Papa Francisco

VII Domingo de Páscoa, 17 maio 2015

 

 

O Papa Francisco e Nossa Senhora de Fátima na Audiência Geral

 

 

Papa e Nossa Senhora de Fátima

O Papa Francisco, antes de começar a Audiência Geral, rezou diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima. No fim, lembrou o dia 13 de Maio, e convidou a venerar e imitar Nossa Senhora nos seus gestos de misericórdia e de ternura, nos seguintes termos: «Neste dia da Virgem de Fátima, convido-vos a multiplicar os gestos quotidianos de veneração e imitação da Mãe de Deus. Encomendem-Lhe tudo o que são e tudo o que têm. E, deste modo, conseguireis ser um instrumento da misericórdia e da ternura de Deus para os vossos familiares, para todos os que vos rodeiam e todos os vossos amigos».

Falou ainda da Mãe de Deus e nossa mãe aos jovens, aos doentes e aos jovens casados: «Hoje é a memória litúrgica da Bem-aventurada Virgem de Fátima. Queridos jovens, aprendam a cultivar a devoção à Mãe de Deus, com a reza diária do Terço. Queridos doentes, sintam Maria presente na hora da cruz, e vós, queridos recém casados, rezai-Lhe para que nunca falte no vosso lar o amor e o respeito recíproco».

«A Terra Santa ainda gera Santos»

Santas_Terra_Santa

Dom William Shomali, vigário patriarcal para Jerusalém e Palestina, durante uma conferência de imprensa no Christian Media Center sobre a canonização das duas beatas palestinas, no dia 17 de maio, afirmou que «os palestinos podem ficar orgulhosos destas duas santas: Myriam Bawardi e Marie-Alphonsine Ghattas. Acredito que não apenas os cristãos, mas também os muçulmanos e os judeus podem alegrar-se de que duas pessoas do nosso país tenham chegado ao mais alto grau de justiça humana, sabedoria espiritual e experiência mística de Deus. Elas são modelos para todos e intercedem por cada um. Intercedendo pela Terra Santa, elas não fazem qualquer distinção entre cristãos e não-cristãos».

O prelado reiterou a importância deste evento para a Terra Santa, onde vários poetas compuseram cânticos e hinos para a ocasião, directores fizeram filmes e escritores lançaram ao menos 15 livros em diferentes idiomas para espalhar os pensamentos das beatas e o seu caminho para a santidade.

Muitos fiéis já aderiram à grande peregrinação a Roma a fim de participar da cerimónia presidida pelo Papa, que contará com a presença do presidente Mahmoud Abbas.

Mas «qual é o significado deste grande evento para nós, o povo da Terra Santa, judeus e árabes, palestinos, jordanos e israelitas, cristãos e muçulmanos?», perguntou Shomali. A Igreja católica, disse ele, tem os seus «critérios» para declarar alguém santo: «ter uma grande experiência de comunhão com o Senhor» e «viver uma vida simples, seguir a ética e seus valores heróicos de honestidade, humildade, altruísmo, sabedoria, caridade, amor e perdão». Esta santidade «deve ser atestada por testemunhas» e, finalmente, «ser confirmada mediante dois milagres reconhecidos», estudados por comissões locais e internacionais compostas por médicos. «As nossas duas santas cumpriram todas estas condições», declarou o bispo, além de contarem com «a veneração da comunidade local e de toda a Igreja».

Lembrou que, desde o primeiro século até hoje, «a nossa Terra Santa gerou centenas de santos». A primeira e a maior é Maria, a Mãe de Jesus, e ainda São José, os apóstolos, muitos bispos, monges e mártires da fé. Alguns nomes são mais conhecidos do que outros: Jerónimo, Justino, Helena, Sabá, Eutímio, Alberto de Jerusalém. «Mas há apenas três santos que nasceram em nosso tempo e que não falavam grego, nem latim, nem aramaico», destacou o vigário patriarcal, demonstrando que «a santidade também é compatível com a língua árabe».

As duas futuras santas, acrescentou, são um sinal de que «a nossa Terra Santa ainda gera santos e continua a ser uma Terra Santa não só por causa dos seus lugares santos, mas também porque é a terra das pessoas boas que vivem aqui».

As duas freiras encontraram-se em Belém por volta de 1875. Myriam era uma carmelita contemplativa, mística, que passava o seu último ano em Belém. Ela «falava com palavras tocantes sobre a misericórdia de Deus, sobre a sua proximidade e facilidade para perdoar os pecadores. A nossa admiração é ainda maior por sabermos que ela era quase analfabeta».

Marie-Alphonsine, fundadora da Congregação das Irmãs do Santo Rosário, era «mais activa»: professora, enfermeira e conselheira espiritual em Beit Sahour, Jaffa, Nazaré, Zababdeh, Salt, Belém e Ein Karem. Ela abriu as primeiras escolas para meninas nas aldeias que visitou, defendeu as mulheres e ajudou-as a ter acesso à cultura e à educação, à liberdade e à dignidade. Embora «muito activa», ela «nunca deixou de ser contemplativa».

«Estas duas santas viveram aqui em tempos difíceis e de extrema pobreza, de falta de liberdade sob o Império Otomano, sem escolas nem universidades. Muitos habitantes desta terra, em particular as mulheres, eram analfabetos. Elas sofreram doença, fome e sede e falta de qualquer conforto. Mas perseveraram, foram pacientes, humildes e, acima de tudo, amavam a Deus e ao próximo de maneira extraordinária. O Espírito Santo as guiou».

As duas mulheres viveram na Palestina antes da sua divisão e, portanto, «não experimentaram o conflito árabe-israelita». No entanto, disse o arcebispo, «eu tenho certeza de que, do céu, elas conhecem a situação e intercedem pela paz e pela reconciliação na Terra Santa». E esta intercessão «é forte e eficaz».

Reeleição do Padre Geral

HPIM1493

  O Padre Saverio Cannistrà, abraçando na foto o Padre Provincial de      Portugal, foi hoje reeleito Prepósito Geral da Ordem dos Irmãos da Bem-    aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo pelo Capítulo Geral em    Ávila para o sexénio de 2015-2021