Faleceu monsenhor Gonzalo López arañón, carmelita descalço burgalês

 

Monsenhor López Marañon foi, durante, muitos anos, o profético bispo de Sucumbios (Equador). Estava de missionário em Angola: «”Quis sempre viver e morrer em missão”. A Igreja dos pobres e as Comunidades de base de Sucumbios vão pedir a repatriação dos seus restos.

Gonçalo Marañón 3

No dia de hoje, 7 de Maio, véspera da Ascensão do Senhor, na casa episcopal da diocese de Luena – Lewena – (Angola) faleceu Dom Gonzalo López de Marañon, Carmelita Descalço burgalês, que, em religião, se chamou Frei Gonzalo da Imaculada. Foi levado para ali desde o seu último ligar missionário em Calunda, porque sofria de várias doenças tropicais, e ali entregou a sua alma ao Criador, este bispo carmelita que sempre quis viver e morrer em missão.

Dom Gonzalo López Marañón nasceu em Medina de Pomar (Burgos) no dia 3 de Outubro de 1933, então festa da Padroeira das missões Santa Teresa do Menino Jesus.

Professou no Carmelo Teresiano no dia 13 de Agosto de 1950 em El Burgo de Osma e foi ordenado de presbítero no dia 6 de Abril de 1957 em Burgos.

Destinado em 1970 como Prefeito Apostólico da Missão Carmelita de San Miguel de Sucumbios (Equador) permaneceu no serviço missionário durante 40 anos, primeiro como Prefeito Apostólico, desde 1970 a 1984, e, uma vez consagrado bispo a 8 de Dezembro de 1984, como Vigário Apostólico nessa mesma diocese da Amazónia equatoriana.

Realizado o seu serviço no Equador no ano de 2010, não quis retirar-se, mas quis continuar a viver e a servir a Igreja missionária e procurou um lugar missionário em Angola, em Cazombo, diocese de Luena, província de Moxico.

Viveu 83 anos, 66 de religioso, quase 60 como sacerdote e 40 como Prefeito e Bispo missionário e os últimos 6 anos como bispo emérito e humilde missionário. Na terra africana caiu o sue grão de trigo e esperamos o fruto da sua entrega até à morte convertido em novas vocações missionárias.

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Carta do P. Gilberto Hickmann, missionário companheiro de Dom Gonzalo em Angola

 Estimados (as):

Certamente a maioria de vós, recebeu de outras fontes a notícia da morte de Dom Gonzalo (“P. Gonzalinho” como queria ser chamado e lhe chamavam na missão de Calunda e Cazombo). Esteve em casa da minha irmã esta semana; não tinha acesso à Internet. Ontem, as consultas ao dentista e a consulta médica, deixei abertas muito rapidamente as mensagens de correio electrónico, sem me dar conta de que havia uma de D. Tirso a comunicar a morte de Monsenhor Gonzalo. Digo-lhes que me deu muita pena e tristeza. Sabemos dos seus sonhos e optimismo.

 Na anterior declaração têm uma informação mais “técnica”. Quero expor-lhes brevemente as nossas últimas conversas com ele, o que falamos e lhe sugerimos. A festa de São João da Cruz entrou na nova casa (ainda em construção). Como foi decidido que eu e o P. Mariano voltássemos nos fins de Abril (a nossa licença veio do Provincial e depois de um ano tínhamos que voltar); depois do ano novo Monsenhor Gonzalo decidiu ir a Luena (e a outros lugares), foi falar com um casal (amigo e indicado pelas irmãs teresianas) que já sabia e estava disposto a ir viver na missão em Calunda.

 Queria falar também com D. Tirso da sua decisão já firme de continuar na missão em Calunda. Este casal viveria com ele e prestar-lhe-ia o serviço de casa e os movimentos pelos arredores. Umas semanas antes de que (Mariano e eu) viajarmos, decidira continuar em Calunda com este casal. No fim de semana celebramos a missa de despedida, falamos com a comunidade sobre a sua permanência e ficamos livres para a nossa viagem.

Antes de realizar estes planos, o P. Mariano, ao regressar de Cazombo trouxe a notícia de que Monsenhor estava com malária, soubera da sua diabetes, e estivera no hospital durante cinco dias. O médico pedira-lhe para ficar em Luena, inclusive durante um mês, para o voltar a ver e acompanhá-lo.

Então, o P. Mariano e eu decidimos ir a Luena dizer-lhe adeus, porque a seguir ele seguiria sozinho para Calunda mais tarde. Falamos muito com ele. Procuramos dissuadi-lo de ir sozinho para Calunda, mas ele, muito tranquilo e sereno, mas muito determinado, manteve-se firme no sue propósito. O P. Mariano argumentou muito com ele. Disse-nos que cada um tem uma vocação específica. Única e que o deixássemos seguir esta vocação. A dele era esta vocação. E se tivesse que morrer na missão de Calunda, que o enterrassem ali. Dissemos-lhe que, na nossa opinião, pelo menos deveria ficar na missão de Cazombo, onde há uma comunidade de irmãs, onde permanecera durante meses e onde se encontrar bem.

Mas ele estava decidido a ir para a missão de Calunda. Ficou cativado por estas pessoas e a gente estava encantada com ele, apesar de ter vivido pouco tempo ali. Quisemos, em definitivo, respeitar a sua liberdade e decisão. Sabíamos que não seria fácil para ele. Pareceu-nos que com a malária a sua saúde ficou fragilizada. Disse que ia recuperar, mas disse-me que estava quase sem apetite e vimo-lo bastante pálido. Viajamos de regresso ao Brasil e não tivemos mais notícias. Acabam-me de responder as irmãs de Cazombo a quem tinha escrito. Mas não me dão notícias de Monsenhor Gonzalo. Certamente não souberam nada dele. Escrevia muito pouco.

A notícia que recebo agora não é dele, mas trata dele: morreu Monsenhor Gonzalo. Fiquei verdadeiramente muito dolorido.

 Creio que isto já são sementes para a reactivação de uma futura presença do Carmelo no território de Angola. Podemos não estra de acordo com algumas atitudes e opções tomadas por ele, mas não deixa de ser um testemunho missionário corajoso, audaz e radical. Não há maior amor por um povo que dar a sua vida por ele. Ele fê-lo. Oremos por ele e que o seu espírito missionário nos contagie.

Um grande abraço.

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 Carta do Bispo de Luena, Dom Tirso, sobre a morte de Mons. Gonzalo ao P. Joaquim, Provincial de Portugal

 Estimado Padre Joaquim: desejo-lhe saúde e paz

 No dia 28 de Abril saí para uma grande viagem. Deixei Dom Gonzalo com bom humor e com muitos planos para Calunda, a sua terra de missão. Concordei com ele, pois tinha tudo muito bem organizado: cozinheira, condutor, e pastoral apenas na sede de Calunda. Durante a minha viagem soube que tinha uma malária muito forte que assola toda Angola e também a nossa província de Moxico. Agrava a situação a sua diabetes.

Ao chegar a Luanda falei com a directora clínica do Hospital (de Luanda) e disse-me que estava a recuperar bem. Quando cheguei no domingo e de Maio ainda se encontrava no hospital. Fui visitá-lo e encontrava-se com bom estado de ânimo e disposto a continuar os seus projectos. Já tinha o projecto de ir a Fátima e ajudar no ministério da Reconciliação, desistindo da sua querida Calunda. Dois dias mais tarde recebeu alta e ficou na casa episcopal.

 Ele estava a recuperar bem e o médico, o Dr. Inácio, cubano, fazia regularmente as suas visitas a D. Gonzalo. Disse-lhe para tomar ainda mais um tempo para poder regressar à missão, mas que estava a recuperar lentamente, de acordo com a sua idade. Com os sacerdotes tínhamos decidido esperar um pouco para que recuperasse algo mais a sua saúde, para poder enfrentar uma longa viagem, e pudesse ir a Portugal ou Espanha para recuperar melhor.

 A princípio, caminhava com dificuldade devido às sequelas próprias da malária, e, já nestes dias, um pouco melhor; assistia aos jogos de futebol pela noite na sala de televisão, o Real Madrid, o Atlético.

 Hoje, 07, saí para Luanda para uma actividade relacionada com a Jornada das Comunicações Sociais, muito cedo, porque o avião parte antes das 7 am. Ele tomou o pequeno almoço, mas o sue estômago recusou-o. Levaram-lhe o almoço, mas não comeu nada queixando-se do estômago. Deixaram-no descansar e depois à hora da merenda já não respirava.

O corpo foi levado para a morgue municipal. Comunicamos aos missionários, à presidência da CEAST (Conferência Episcopal de Angola e São Tomé), e à Nunciatura. Contactamos a Embaixada de Espanha, que está a tentar comunicar com os Carmelitas de Espanha. No entanto, não temos as direcções da família para comunicar com eles.

 A minha impressão pessoal é que ele queria ficar na missão e quando se deu conta que já não podia voltar, rendeu-se.

 Esteve todo o tempo espiritualmente sereno, dizia-me sempre que rezava muito por mim. E acredito. Estou muito grato à Dra. Jorgina, ao Dr. Inácio, ao Sr. Walter Gamarra, que se encarregou com incrível dedicação, à voluntária Vera e aos seminaristas do Seminário, Dom Puaty, que estiveram junto dele todo o tempo que permaneceu no hospital.

Em Cristo Jesus.