História

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O Convento do Carmo foi fundado em 1 de Fevereiro de 1653 pelo Frei João do Espírito Santo, natural desta cidade e que faleceu em Madrid no convento de Santo Hermenegildo. Foi lançada a benção do terreno para o novo convento em 21 de Maio de 1654 e nesta data foi colocada a primeira pedra, com toda a solenidade. Foi tal a diligência posta pelo fundador na obra então começada, que decorrido pouco mais de um ano — 22 de Outubro de 1655 — se realizou processionalmente, a solene transferência dos religiosos para as suas novas instalações. Aqui se mantiveram até à data da expulsão das Ordens Religiosas, ou seja em 1834, revertendo então o convento a favor do Estado e ficando apenas de posse da Irmandade a Igreja e suas dependências. As instalações do convento foram, mais tarde, destinadas a Hospital Militar tendo, nessa ocasião, o seu interior sofrido algumas modificações com o derrube de algumas celas para o espaço ser ocupado por enfermarias. Anos decorridos foi adquirido em hasta pública pelo Sr. Miguel Ferraz que fez fortuna no Brasil, e mais tarde pela Srª Maria José Ogando, que ali instalou o Colégio de Dublin até 1994.

Devia ter o Convento do Carmo um número bastante elevado de sacerdotes porque foi Colégio de Teologia e podemos concluir pelo número de gavetões que insere o arcaz da sacristia que servia para guardar os paramentos, gavetões ornados de ricos puchadores e fechaduras em bronze. Também pelo móvel que se acha embutido na parede na sala depois da sacristia, espaço onde os sacerdotes lavavam as mãos antes e depois da Eucaristia em dois lavatórios de pedra lavrada e com depósitos de água que provinha das “Sete Fontes”, móvel que servia para guardar os amitos e purificadores, conclui-se do número de frades que viviam naquela casa. São nada menos que 42 gavetas também ornadas de bronze. Devemos no entanto considerar que algumas delas estavam destinadas aos religiosos hóspedes, isto é, que vinham de fora por alguns dias, mas mesmo assim o número devia ultrapassar os 35. Além destes, por certo haveria Irmãos Leigos destinados a outros serviços que não aqueles que ao serviço divino, missas e pregações, se destinavam.

Ao longo da sua existência o retábulo da Capela Mor sofreu várias vezes intervenções de conservação até que em 1865 principiaram as obras do retábulo actual e em 1872 acabou o seu douramento.

Em 1884 cobriram de azulejos, sem grande valor artístico, a fachada da Igreja e depois da fachada fizeram o mesmo com o interior da Igreja. Já em 1898 a fachada da Igreja estava em desaprumo e em 1906 dizem que ameaça ruína. Por este motivo começam a pensar em substituí-la e pedem vários projectos para a nova fachada. Aparecem três e o que mais convenceu foi o apresentado em 18-1-1907 pelo arquitecto bracarense João de Moura Coutinho de Almeida e Eça.

Salvo estas alterações, a Igreja conserva a traça primitiva com quatro altares laterais em arcos que se comunicam entre si, mais dois aos lados do cruzeiro, e a capela do Santíssimo Sacramento. Esta capela, até às obras que fizeram de ampliação das dependências anexas à igreja em 1986, era mais profunda que actualmente.

Carmo Braga

Albano Belinho diz em “Arqueologia Christã” que “é construída de mármore a curiosa escada suspensa que conduz ao púlpito”. Hoje a igreja tem dois púlpitos que foram feitos por volta de 1915.

Descrição : Planta composta, com igreja de cruz latina e nave única. A fachada principal da igreja desenvolve-se em trono, com quatro registos separados por cornijas duplas, rematando os primeiros dois por platibandas com imagens veneradas pela Ordem e correspondendo os outros dois à torre sineira. O primeiro registo, de três corpos separados por duplas pilastras, tem três portas de arco pleno, sendo o central, maior, de acesso à igreja e os laterais ao convento. O segundo registo tem ao
centro uma rosácea e, entre as pilastras, dois florões.

A torre tem no primeiro registo dois janelões, encimados por cornija dupla com relógio, e no segundo as sineiras de arco pleno, rematando numa pequena cúpula, pináculos, lantemim e imagem da Senhora do Carmo. No interior da igreja um endonártex dá acesso à nave com lambril de azulejos estampilhados, coberta em abóbada de lunetas. Coro alto assente em arco abatido com balaustrada, ladeado por mísulas concheadas onde assentam um coro e um órgão de tubos, sub coro com duas pias de água benta e dois vios de confessionários; duas capelas colaterais de arco pleno com retábulos de talha encimadas por telas com sanefas de talha e dois púlpitos quadrados com acesso por escada espiralada. Cruzeiro coberto por cúpula. Transepto com dois altares laterais de talha dourada, existindo no braço esquerdo porta de acesso ao convento e no direito capela do Calvário. Arco triunfal com sanefa de talha dourada. Capela-mor com retábulo de talha, de colunas coríntias e trono central com padroeira. Na sacristia arcaz, relicários e pias de água benta.

 

 

Bibliografia:
Mendes, Fernando – Guia de Braga Turístico e Histórico, Braga, 1993.
Freitas, Sena de – Memórias de Braga, Braga, 1890.
Belinho, Albano – Inscrições e Letreiros
Belinho, Albano – Arqueologia Cristã
Martins, Augusto – Braga Antiga, Braga, 1971
Abreu, Leonídio de – Braga: Coisas de Outros Tempos, Braga, 1983