Novos Santos do Carmelo (III)

BEM-AVENTURADOS LUÍS E ZÉLIA MARTIN

 (texto de Mons. Pedro Pican, bispo de Bayeux e Lisieux)

 Há 150 anos, Luís e Zélia Martin, pais de Teresinha, uniam-se em matrimónio em Alençon e decidiram realizar o seu próprio projecto de vida constituindo uma grande família.

 Para viverem o seu amor, tiveram que renunciar às suas anteriores aspirações de vocação à vida religiosa. Integraram na sua vida de casal, como muitos contemporâneos seus, a participação intensa, activa, regular e ardente na vida da Igreja. Alimentaram-se dos Sacramentos, participaram na vida da paróquia e dedicaram um tempo cada dia à oração partilhada, ao recolhimento, à meditação e ao ritmo respeitoso e discreto da vida pessoal de cada um. Nunca deixaram de receber o sacramento da Reconciliação conforme era recomendado pela Igreja e de viver a graça recebida. Unidos na confiança de viver o caminho ordinário da santificação como casal, deram vida a nove filhos trabalhando cada um na sua profissão.

 As provações familiares marcaram a sua vida e purificaram a sua fé, confirmando a sua confiança no Senhor. Levaram uma vida de trabalho intenso e provado. Enfrentaram a doença e a morte de quatro dos seus queridos filhos, falecidos com muito poucos anos.  Só sobreviveram cinco filhas das quais Teresa, a mais nova, ser a amais conhecida pelo seu cumprimento da doutrina do Evangelho na sua vida e pela sua irradiação missionária.

 Cinco anos depois do seu casamento, em 1850, Luís e Zélia criam a sua própria empresa de ponto de Alençon. Luís trabalhou com a sua esposa. Fez o possível por levar aos bordados as novas correntes, os novos modelos. Os resultados foram extraordinários. Havia que encontrar novos mercados. Por isso viajou frequentemente de Alençon as Paris para buscar novos clientes, conservar os existentes e assegurar o bom desenvolvimento da produção de Zélia e das suas empregadas. Durante este período trespassou a sua relojoaria ao seu sobrinho Adolfo Leriche. Luís e Zélia deixaram a casa da rua Ponte Nova de Alençon e instalaram as suas actividades na rua de São Brás.

Zélia assumiu, com uma coragem extraordinária a sua responsabilidade materna, o seu compromisso profissional e o seu doloroso combate contra o cancro que a levaria à morte a 28 de Agosto de 1877. Tinha 46 anos e deixava o seu marido – cuja fragilidade conhecia – e as suas cinco filhas. Quatro escolheram o mesmo Carmelo de Lisieux. Leónia o mosteiro da Visitação de Caen.

 A beatificação dos pais descobrirá a vida deste casal tão atenta a inscrever a sua resposta quotidiana no compromisso com os seus filhos e no crescimento espiritual de cada um deles. Passarão por momentos muito dolorosos na sua vida, mas a sua fé, cheia de paz, humilde, ardente e enraizada na Igreja, permitir-lhes-á aceitá-los em paz.

 Cheia de imenso amor filial, Teresinha não vacila em escrever ao abade Bellière dois meses antes da sua morte: «Deus deu-me um pai e uma mãe mais dignos do céu do que da terra. Pediram ao Senhor que lhes desse muitos filhos e que os tomasse para si. O seu desejo foi ouvido: quatro anjinhos voaram para o céu e as cinco filhas que fiaram na arena tomaram Jesus por Esposo».

 Estamos em boa companhia.