Novos Santos no Carmelo (I)

 

Zélia Guérin 1

 

ZÉLIA GUÉRIN (1831-1877)

Zélia, filha do fim do século XIX, herdeira da sua época

Segunda filha de Isidoro Guerin e de Luísa-Joana Macé, Zélia Maria Guerin (chamar-se-á sempre Zélia) nasceu a 23 de Dezembro de 1831 em Gandelain, que pertencia a Saint Denis sur Sarthon, no Orne, onde o seu pai, antigo soldado do império, se tinha alistado para a polícia.

Foi baptizada no dia seguinte ao seu nascimento na Igreja de Saint Denis sur Sarthon. Uma irmã, dois anos mais velha do que ela, foi religiosa na Visitação de Mans com o nome de Irmã Maria Dositeia. Dez anos depois nasceu o único irmão, Isidoro, que foi o menino mimado da família.

Ela própria, numa carta ao seu irmão, define a sua infância e juventude como: «tristes como uma mortalha, pois se a minha mãe te mimava, para mim era, como sabes, demasiado severa: era muito boa, mas não me sabia dar carinho, assim que sofri muito».

Esta educação marcará o seu carácter, a sua maneira muito (demasiado?) escrupulosa de viver a sua espiritualidade.

Zélia, mulher activa, directora de empresa, comprometida com a  justiça…

Depois de terminar os seus estudos no convento da Adoração Perpétua, na rua Lancrel, em Alençon, sentiu-se chamada à vida religiosa mas, perante a negativa da superiora, orientou-se para a formação profissional, iniciando-se com grande êxito no fabrico do famoso ponto de Alençon. Nos fins de 1853 instalou-se como «fabricante de ponto de Alençon» na rua São Brás, número 36 e deu trabalho a domicílio a bordadeiras. A qualidade do seu trabalho fez com que a sua empresa alcançasse muita fama. As relações que teve como as suas trabalhadoras, a quem dizia era preciso amar como a membros da sua própria família, com os vizinhos e conhecidos, mostram-na sempre disposta a combater as injustiças e a sustentar as pessoas necessitadas. A doutrina evangélica guiava as suas acções.

Zélia, esposa amorosa

No mês de Abril de 1858, Zélia Guerin cruza-se na ponte São Leonardo com um jovem cujo porte a impressiona… É o relojoeiro Luís Martin. Três meses mais tarde, a 12 de Julho de 1858, teve lugar o casamento civil às dez da noite e, duas horas mais tarde, já a 13 de Julho e na intimidade, celebrou-se o casamento religioso na igreja de Nossa Senhora, sob a presidência do abade Hurel, pároco de São Leonardo. O amor que sentia ao seu marido pode ver-se nas suas cartas: «A tua mulher ama-te mais do que à sua vida», «Abraço-te tanto quanto te amo». E isto não só com palavras: a sua maior alegria era estarem juntos e compartir a vida quotidiana sob o olhar de Deus.

Zélia mãe alegre e provada

Zélia experimentará alegrias e sofrimentos ao ritmo dos nascimentos e mortes na família. Assim, podemos ler na sua correspondência: «Amo as crianças com loucura, nasci para as ter. A seguir, depois do nascimento de Teresinha, a sua última filha: «Sofri muito na minha vida». A educação das suas filhas mobiliza toda a energia do seu coração. A confiança era a alma desta educação. Desejava o melhor para os seus filhos… que foram santos!

 Isto não a impede de organizar festas, jogos… A família sabe divertir-se.

Zélia, doente, mas cheia de confiança

 Desde 1865, um gânglio no seio direito, que degenerará num câncer, trouxe a Zélia muito sofrimento. «Se Deus quiser curar-me, ficarei muito contente, pois, no fundo do meu coração, desejo viver; o que me custa é deixar o meu marido e as minhas filhas. Mas, por outro lado, digo a mim mesma: se não me curar é porque, talvez, será mais útil que parta».

 A 28 de Agosto de 1877 às 12, 30 da noite, rodeada pelo seu marido e pelo seu irmão, Zélia entregou a sua alma a Deus.

 Deixemos a Teresinha as últimas linhas. «A eternidade enche-me de alegria e atrai-me. Quero ir para o céu para ver a Deus».