Novos Santos no Carmelo

LUÍS MARTIN (1823-1894)

Em busca de um ideal

Luís Martin nasceu em Bordéus em 1823. Filho de militar, os seus primeiros anos de vida foram marcados pela mobilidade familiar. Depois, a família instalou-se em Alençon onde Luís começou o período escolar.

 Apreendeu relojoaria em Rennes, Estrasburgo e Paris. Este anos foram muito importantes porque neles sentiu o desejo de se consagrar a Deus no mosteiro do grande São Bernardo. A dificuldade para dominar o latim obrigou-o a renunciar a este projecto. Abriu uma relojoaria-joalharia em 1850 na rua Ponte Nova de Alençon.

Até ao seu casamento em 1858, repartiu o tempo entre o trabalho, o lazer – sobretudo a caça – a meditação e o encontro com os outros. Participou no círculo Vital Romet, que reunia uma dezena do jovens cristão ao redor do abade Hurel e descobriu uma forma de compromisso social no quadro das conferências de São Vicente de Paulo.

Tempo de matrimónio

A sua mãe, que não se resignava a vê-lo solteiro, falou-lhe de Zélia Guérin com a qual aprendia a arte do engaste. O seu primeiro encontro na ponte sobre o rio Sarthe foi determinante. Casaram-se um mês mais tarde, a 12 de Julho de 1858, às 22 h na Câmara Municipal de Alençon e a 13, à meia-noite, segundo o costume daquela época, na Igreja de Nossa Senhora.

 A sua vida conjugal durará 19 anos

Estará marcada por

– um projecto de viver a continência no matrimónio.

– depois, por ter filhos, nove, dos quais só cinco sobreviveram.

 A correspondência da senhora Martin revela o profundo amor que uniu o casal.

 Ela descreve também a sua vida quotidiana:

– a participação de Luís na educação das crianças…

– a sua eleição profissional ao renunciar ao seu trabalho para ajudar a sua esposa na direcção da empresa de engaste que tinha criado;

– a profunda fé que anima a família e faz que se preocupe por todos os que a rodeiam;

– as repercussões da vida social e religiosa da época (fim do Segundo Império e nascimento da Terceira República…);

– e, por fim, a longa e dolorosa prova do câncer que levará a senhora Martin à morte em Agosto de 1877, aos 46 anos.

Tempo de renúncia

Começou, então, para Luís o tempo da viuvez e decidiu ir viver para Lisieux, perto dos Guérin, a sua família mais chegada.

Algumas cartas desta época mostram-no com um pai atento a cada uma das suas filhas e preparado para aceitar os seus projectos de vida religiosa.

Depois da entrada de Teresa no Carmelo, começou para ele, em 1888, a provação da doença que o levará ao Bom Salvador de Caen.

Durante períodos de melhoria, ocupou-se dos doentes que o rodeavam.

Paralisado, voltou para sua família, no seio da qual morreu a 29 de Julho de 1894. Tinha 71 anos.