Há dias em que a nossa alma parece esse cego entre Jesus e os fariseus.
A presença de Jesus é constante e terna, mas silenciosa e invisível. Mas muitas vezes nós vêmo-Lo agir na nossa vida. Sabemos que Ele está por detrás das nossas alegrias e dores, para nos animar e santificar.
Mas dentro de nós parece que também existem esses grupos de fariseus que estão a todo o momento a combater Jesus.
São inseguranças internas que nos vão minando, dizendo: “Mas será que foi mesmo Jesus quem fez isso, não terá sido antes um acaso?”, “Mas será que esse Jesus ama-te assim tanto e não serás tu narcisista?”, “Achas mesmo que Jesus não tem mais com que se preocupar do que com essa tua vidinha insignificante?”.
Dentro de nós travam-se batalhas que só o Céu vê. É o martírio anónimo e invisível de cada dia. No qual Jesus, da mesma forma que perguntou ao cego curado se acredita n’Ele, também nos pergunta a nós.
E nós, entre panelas a lavar, o leite a tirar do microondas, a colocar as mudanças no carro, a sacudir o pó das calças, a rodar a maçaneta de casa, a levar o carrinho de compras, vamos repetindo interiormente: “Sim, creio”.
Sim, Jesus, creio no Teu amor, diário e ininterrupto. Eterno e infinito. O qual vejo dia após dia e o qual quero ver para sempre.
José de Barcelos
Domingo IV da Quaresma [Ano A]


