A árvore de Nabucodonosor
Em tempos idos, um Rei havia
Cujos sonhos o afligiam
Nas cálidas noites
De uma Babilónia adormecida.
E todas as manhãs,
Acordava
A pensar no que pressentira
E se assinara Deus
Tais recados que se lh’expedira.
Então,
Tudo fazia
Para que lhe interpretassem
Os sages homens da corte
O que lh’a memória retinha.
O sonho, porém,
Mais do que detalhe,
É mensagem,
E mais do que ciência,
É vontade e temor.
Contava Nabucodonosor
Que vira, delirando,
Árvore maior que qualquer olho
De ramos fortes
E tronco inabalável.
Nela
Se recolhiam os frágeis pássaros
E sob a sua sombra,
Os demais animais dormiam.
Pois, quis a tragédia
– que o Rei não percebia –
De superior força derrubá-la,
Poupando-lhe as raízes
E o pescoço da própria soberba.
Como podia o mundo
Incomodar-se
Com tão tranquila existência?
E que divino cruel,
Esse
Feliz d’arrancar à vida
O que tanto a reproduzia?
Sois vós, ó Rei,
– Daniel atreveu-se –
Que não podeis substituí-Lo
Que não servi-Lo,
Pois não é d’árvore a natureza
Subir mais alto que os céus
Nem centrar em si todos quanto vivam.
Como eu,
Sábio Daniel,
Se não m’arraigo à terra?!
Mas sois vós, ó Rei,
Vos não iludais,
Que não carecem os homens
Do solo e seus sais,
Senão da fé, ó mistério da Primavera, para renascer.
Que haveis de renascer
No vosso tamanho
E não mais do que os outros.
Sete anos para crescer
Sobre as raízes de tantos outros.
E o Rei louco
Por não compreender
Como podem os Reis ser Árvores
Deixou-se cortar e cair.
Deixou-se esperar e refletir
Durante sete anos
Para crescer à medida dos outros,
Para ser árvore generosa que se dá à vida
E não para viver Senhor
Da necessidade dos que vivem.
Quantos Reis não precisam sonhar
Que são, na verdade, árvores?…
Vicente Perdigão
Poeta, genealogista
Londres, 4 de dezembro de 2022
Recorda-me, ó Deus,
que não passo senão de pó e de cinza.
Sou barro frágil beijado pelos Teus lábios
e abraçado pelas Tuas divinas mãos.
Não esqueça eu ser árvore
com raízes de fé,
ramos de esperança
e seiva de caridade.
Ámen.
Em os 30 Dias com Frei Francisco Maria pretende-se criar um lugar de reflexão e oração para e com o Frei Francisco Maria que, no dia 28 de janeiro de 2023, fará a sua Profissão Solene.
Cada dia, acompanhado por um rosto e um texto concretos, o Frei Francisco Maria fará a sua preparação espiritual para a sua entrega definitiva ao Senhor.
Acompanhado por tantas pessoas, rezará por cada uma e por cada um, de forma a todos incluir nesta caminhada rumo à sua consagração definitiva no Carmelo Descalço.


Meu Deus e meu Senhor sereis sempre o rei dos reis.