Verbos da Palavra

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Ao longo do tempo, a Irmã Lúcia foi tomando consciência de que ela era um Sacrário vivo de Cristo. E, no fundo, essa é uma noção muito bela e profunda que os católicos que comungam com fé, com amor e em estado de graça também poderiam pedir a Deus.
Pois somos Sacrários vivos de Jesus que está presente na Eucaristia. E que Se dá à nossa alma e ao nosso corpo quando O comungamos.
Essa não é uma realidade meramente espiritual, mas também física.
E isso faz-nos refletir: embora nós precisemos de ir a uma igreja física, nós também somos uma igreja. Somos um templo vivo. E somos um Sacrário onde Jesus habita verdadeiramente.
Quando li e escutei o Evangelho deste Domingo, reti o verbo “Pedir”. Pois Jesus está a ensinar-nos a orar. E, por alguma razão, recordei-me dessa meditação da Irmã Lúcia. E fui refletindo nessa conjugação.
Somos um Sacrário vivo de Cristo, no fundo, da Santíssima Trindade, portanto, nós podemos estar em contínua oração junto do Pai, a pedir. Pois nós já estamos dentro de uma igreja, pois estamos dentro de nós próprios.
Isso não significa que possamos prescindir de ir a uma igreja de pedra. Nada disso. Pelo contrário, é importantíssimo ir, pois são nessas igrejas de pedra onde se celebra a Eucaristia, a Adoração ao Santíssimo e onde Jesus está continuamente no Sacrário à nossa espera com carinho e cheio de graças.
O próprio Jesus disse à Bem-Aventurada Alexandrina de Balasar: “Que seja também pregada e propagada a devoção aos Sacrários, porque passam dias e dias em que não me visitam. São tantos aqueles que, embora entrando na Igreja, nem sequer me saúdam e param um momento para adorar-Me. Por eles, dei o Meu Sangue e fiquei nos Sacrários, mas eles desprezam as Minhas graças. Ali fico abandonado e esquecido por muitos. Eu amo-te tanto. Eu estou sempre contigo”.
Portanto, o que eu pretendo transmitir é: mesmo na nossa vida corrida e atarefada, nós estamos mais próximos de Deus do que nós pensávamos. Ele está dentro de nós. Nós vivemos internamente dentro de um templo. A nossa vida é sagrada. Nós podemos pedir algo diretamente ao Pai, pois Ele escuta-nos. No fundo, nós estamos sempre na Sua companhia.
Nós somos as pedras vivas da Igreja. Pedras de carne e osso e que podem ser verdadeiras adoradoras em espírito e verdade.
E assim como as nossas igrejas de pedra que contêm o Santíssimo Sacramento nunca estão vazias, pois o próprio Deus que é a própria Vida habita nelas, assim também nós nunca estamos sozinhos: pois a própria Vida, que é Deus, habita na nossa alma e no nosso corpo.
Dentro da igreja e fora dela, nós podemos estar sempre em contínua oração, testemunhando a alegria de estar interruptamente diante da presença de Deus, envolvidos no Seu amor infinito e eterno.

José de Barcelos
Domingo XVII do tempo Comum [Ano C]