Verbos da Palavra

Ide

Coragem é ir com medo.
– Edith Stein

Ide, disse o nosso bom Deus.
Pois anunciaremos ao mundo que o Reino de Deus está próximo.
E está próximo porque está dentro do nosso coração, está próximo se nos dermos conta de que Deus habita dentro de nós e se nos voltarmos para Ele.
Jesus está sempre próximo de nós, mas nem sempre nós estamos próximos de nós mesmos. Pois tantas vezes o medo, a culpa e a desconfiança nos fazem viver à margem do Amor, como se apenas nos atrevessemos a molhar os pés nas bordas do oceano.
O amor de Deus por cada um de nós é tão grande. E se não Lhe abrirmos o nosso coração, mas nos determos em teorias e filosofias e lógicas e raciocínios, corremos o risco de paralisar. Pois ensina-nos Santa Teresa que “o essencial não é pensar muito, é amar”.
Então Deus diz-nos: Ide. Avançai, dai um passo em frente, como o bebé em direção aos braços do papá. Não tenhamos medo de andar, paralisados com o medo da queda, mas andemos. Os braços do Pai estão abertos.
É esta a nossa missão: viver o Amor. Sermos missionários do Amor. Ir pelo mundo, pelas cidades e pelos campos, pelas praças e pelas ruelas com a postura de quem se sabe profundamente amado e amparado. Para que a luz de Deus em nós brilhe e as pessoas captem e intuam que, de facto, há um Reino de Deus e que esse Reino, afinal, está mais próximo do que nós pensavamos. Pois eu vejo pessoas comuns na terra a comportarem-se como cidadãos do Céu.
E onde é que aprenderam a ser assim? Indo, arriscando, dando um passo em frente. E porquê? Porque o Amor assim ordena e impele e convida.
Pois “em Deus nos movemos, existimos e somos”, diz-nos São Paulo. Então movamo-nos como missionários do Amor que é Jesus, indo simplesmente na humildade e felicidade de quem se sabe amado, como outrora o próprio Jesus veio ao nosso encontro.
Façamos como Ele. Ide. E nós iremos à Sua frente a preparar os locais onde também Ele virá.
Pois o nosso Deus não é um Deus estático, mas é um Deus que caminha. E que quer caminhar ao nosso lado com ternura, perdão e Misericórdia.

José de Barcelos
Domingo XIV do Tempo Comum [Ano C]