Na sua Autobiografia, conta-nos a Bem-Aventurada Alexandrina de Balasar:
«Passava noites e noites sem descansar a contemplar quadros que Jesus me mostrava e em conversa íntima com Ele. Umas vezes via Jesus como jardineiro a cuidar das florinhas, regando-as, guiando-as, etc.; passeava pelo meio delas mostrando-me variedade de flores. Noutras vezes aparecia-me em tamanho natural mostrando-me o Seu Divino Coração cercado de raios de amor».
Seremos nós flores que desejam ser tomadas pela mão delicada deste jardineiro? De verdade, o que é que eu penso quando medito na morte?
Quando nós éramos crianças e terminavam as aulas, corríamos para o portão da escola a ver se o carro dos nossos pais já estava lá. Quando eles nos vinham buscar, sentíamo-nos amados. Há alguém que me vem buscar, há alguém que se importa comigo. Alguém veio para me tomar para si com amor.
E não é lindo pensar que um dia seremos tomados por Jesus? Como o pai que toma o bebé no colo ou como o jovem apaixonado que toma a donzela nos braços. Alguém está à minha espera, alguém importa-se comigo. Então, a morte será como o convite para uma grande festa, para uma dança de amor e amizade.
Que lindo é saber que alguém me deseja tomar para si; e que esse alguém é Jesus. Mas essa alegria já começa aqui na terra e um dia também poderemos dizer como a Santa Teresinha: «Não morro, entro na vida».
Mas como é que começa aqui na terra? Com a Sagrada Eucaristia, como nos ensina a nossa querida Irmã Lúcia:
«É o Teu amor que me leva, qual brisa suave,
a entregar-me a Ti,
nessa comunhão de cada dia
Tu me tomas para Ti
enquanto que Te entregas a mim,
Hóstia branca, suave,
oferecida ao Pai conTigo – Hóstia de amor!»
José de Barcelos
Domingo I do Advento [Ano A]


