Diz-nos a Sagrada Escritura que São João Batista se vestia com peles de camelo e que a sua alimentação era à base de gafanhotos e de mel silvestre. Era assim que ele pregava
Também nós podemos vestir a nossa alma com peles de camelo. Recordando-nos de que somos peregrinos neste mundo e que, como diz São Paulo, também nós estamos crucificados para o mundo. Este mundo para nós não passa de um deserto. O camelo atravessa tempestades de areia em silêncio e caminha pela aridez com serenidade. Não é um animal rebelde nem bruto. A radicalidade do deserto não lhe endurece o coração, pelo contrário, torna-o mais pacífico. É um animal manso. Assim, também nós devemos revestir-nos do seu testemunho.
Mas também temos muito a aprender com a alimentação de São João Batista. A vida reserva-nos tanto coisas boas como más. Ora mel silvestre, ora gafanhotos. Ora alegrias, ora tristezas. Ora sucessos, ora fracassos. Ora consolações, ora desilusões. E é fulcral que entre esses contrastes, saibamos manter o nosso equilíbrio. Saber agradecer a Jesus por tudo, por mais incompreensível que nos seja. É a mão do Pai que nos alimenta, como a crianças, e a vontade do Pai é o nosso alimento.
Se soubermos caminhar serenos pelo deserto como os camelos e se formos humildes para nos alimentarmos do que a Providência Divina nos prepara, também nós estaremos a pregar, quer seja com palavras quer não. Pois a palavra move, mas o exemplo arrasta.
Sejamos um bom exemplo.
Preguemos com a vida.
José de Barcelos
Domingo II do Advento [Ano A]


